sábado, 22 de novembro de 2014

Meu trabalho...

..sou formada em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda, na verdade até hoje não sei como vim parar aqui.

Comunicação!

Justo eu, uma menina fechada em seu mundo, em seus medos. Nunca gostei muito de conversar com estranhos, ou ter que me mostrar "legal" só por educação. Sempre fui muito fechada, até virei "estranha" para evitar papos com terceiros, segundos e primeiros.

Meu primeiro emprego, na verdade o primeiro contato com o mundo corporativo e de aprender a ser simpática com as pessoas por obrigação foi na Mercearia do meu pai: Mercearia & Avícola Santista ltda. (Secos e Molhados era o que dizia o letreiro). Lá havia de tudo que uma boa mercearia poderia oferecer, e ainda aves abatidas na hora, (nada melhor que um bom frango fresco). Às vezes era possível encontrar coelhos, cabras e no final de ano: carne suína.

Meu serviço a priori era apenas fazer companhia ao meu pai, mas já que eu ficava lá de bobeira, porque não ajudar? Pesava produtos a granel (como: farinha, alpiste, feijão, girassol, etc), cobrava (o melhor verbo a se usar aqui era "pendurava", pois o fiado comia solto), às vezes eu pegava um frango ou uma galinha e pesava (nunca tive dó, nem dos coelhos - vegetarianos gritarão), e raramente ajudava a cortar unha dos pés do frango e limpar moela. Qdo eu era jovem eu me envergonhava de dizer que trabalhava dessa forma, hoje acho maior barato isso. Ah! Também servia pinga aos senhores apreciadores de cachaça barata - nunca vou me esquecer do episódio de um senhor que estava tão bêbado, que acabou engolindo uma mosca que agonizava no seu copo de Pitú.

Estudei colegial técnico, porque em minha época era importante sair com uma formação. Fiz Processamento de Dados - pois quem "soubesse mexer em computador estava feito na vida". Odiava programação, fluxogramas, lógica e estatística nunca foram meu forte, mas adorava matemática, mesmo tendo um professor nojento dando aula. Sempre tive facilidade em aprender, então levei o curso nas costas - mas o meu desinteresse na área me fez sair do curso sem saber programar um "Beep".

Prestei FUVEST. Primeiro ano Ciências da Computação e Matemática. Lógico que não passei. No segundo ano, fiz Cursinho e prestei para Psicologia - (Oi?) - pois é, Psicologia, apesar de uma metaleira feia, gorda e desengonçada eu tinha bom coração, e achava que para ajudar os outros a melhor forma seria fazer Psicologia. Não passei pra segunda fase por 1 ponto, e eu chorei que nem criança! Sem entrar numa faculdade e sem emprego, me trancava nas minhas muitas horas vagas em meu quarto e desenhava, desenhava e desenhava roupas. Eu queria ser estilista! (confuso, eu sei).

Depois de procurar emprego em tudo que é lugar, de leste a oeste, de norte a sul - consegui finalmente meu primeiro trabalho como Recepcionista em uma Indústria de Cosméticos do lado de casa (literalmente). Minha vida é cheia de fazer piadinhas comigo.

Em meu primeiro ano de trabalho, ganhando exatos R$300, consegui pagar um curso de desenho de moda, e com o traço melhorado devido o curso, meu patrão viu meus desenhos e resolveu me pagar um curso de Corel Draw (lembro que na época era o 7) - Comecei a fazer as embalagens da empresa, de uma forma mais "rústica" possível, e consegui um aumentozinho que fez com que eu pudesse pensar na possibilidade de fazer uma faculdade.

Ganhava tão pouco, que tive que procurar a faculdade pelo valor e não pelo curso que eu queria fazer. Meu sonho era me formar em alguma coisa. Queria fazer moda, mas o valor da mensalidade era 3x mais o que eu ganhava (não existia ProUni - vcs reclamam de barriga cheia). Até que me falaram de Publicidade, que era um curso para pessoas criativas como eu (???). Eu fiz, mas não me realizei. Me formei publicitária, mas ainda trabalhava na Ind. de Cosméticos, não ganhava muito, na vdd chegava a ser explorada pelo que eu fazia, mas como meu patrão não queria me pagar o que eu merecia, acabou aceitando a proposta de um fornecedor: me liberar todas as sextas-feiras para fazer freelancer de apresentações para uma tal de Dierberger. (para ele seria como um "aumento").

Em 2008 houve a possibilidade de pedir as contas, e trabalhar por conta. Foram 5 anos, em que eu pude amadurecer, ver o monte de coisa que eu não deveria ter feito, ter experiência em outras áreas como vendas e atuar mesmo junto a clientes, trabalhar com redes sociais (até que eu levo jeito para tudo isso...)

Em 2013 aceitei a proposta da Dierberger em trabalhar full time com eles. Em um ano fui promovida, ganhei confiança de minha chefe, do meu diretor, fui promovida. Hoje trabalho levantando tendências, criando conceitos para o produto da empresa: Fragrâncias. Não é mil maravilhas, mas aprendi e venho aprendendo a conversar, argumentar, apresentar, convencer. Conheci cidades e até outro país através do meu trabalho que vem sendo reconhecido pelos clientes e concorrentes... Meu diretor teima que eu deveria trabalhar com vendas.

Apesar de tudo isso, parece que falta alguma coisa. Não sei se é a frustração de ainda não ter trabalhado com o que eu sempre sonhei, ou se é meu lado de nunca estar satisfeita com as coisas, o que não me faz viver o hoje...

Sou sempre cobrada em ser melhor, e melhorar e fazer melhor e superar... e isso me frusta, pois nunca acho que esta bom, me causa um sofrimento tamanho, pois o meu melhor nunca é suficiente. Ninguém perguntou se eu quero ser a melhor... Sei que não devo me acomodar, mas quero ser um pouco mais livre pra pensar.

No mais vou sonhando com o que eu poderia ser, mesmo com 33 anos, ainda tenho esperanças de me realizar com meu trabalho - fazer o que eu realmente sonhei.




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